sábado, 4 de abril de 2015

Transmissão proposital do HIV pode se tornar crime hediondo

Proposta do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) vai ser votada na CCJ. Para a UNAIDS, uma das entidades mais respeitadas da área, a lei pode "deteriorar o progresso construído com muito empenho pelo Brasil"  

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara discutirá um projeto de lei que propõe tornar a transmissão proposital do vírus HIV em crime hediondo, do tipo que, pela extrema gravidade, deve receber tratamento diferenciado das demais infrações.

 

A proposta é do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) e já teve parecer favorável do relator, deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC).  O PL 198/2015, que chegou à CCJ nesta terça-feira, foi apresentado no dia 4 de fevereiro. Dois dias antes, o Terra havia publicado uma reportagem que denunciou grupos de homens soropositivos de diversas partes do Brasil que tem se unido para difundir táticas sobre como enganar jovens mais ingênuos e deixá-los vulneráveis à Aids. 

 

No texto, Mattos alegou que trata-se da reapresentação de um projeto de 1999, de autoria do ex-deputado federal Enio Bacci (PDT-RS), que na época foi arquivado. Para ele, porém, o tema "mantém-se, no mérito, oportuno e atual".  Entidade da ONU divulga críticas  No mesmo dia em que chegou à CCJ, a proposta foi criticada pela UNAIDS, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, que, em comunicado, pediu para que o Congresso Nacional a rejeite e arquive. Para justificar sua posição, a entidade citou cinco argumentos: o de que não há evidências de que a criminalização da transmissão do HIV traga benefícios para a saúde pública; de que a criminalização desconsidera o avanço da ciência em relação à prevenção e ao tratamento; de que a adoção dessa legislação específica provoca retrocessos em relação aos avanços já consolidados; de que a aplicação da lei pode levar a graves erros judiciários; e de que o projeto está na contramão da tendência mundial.  "O Código Penal Brasileiro já possui dispositivos penais para as situações descritas no PL nº 198/2015. O UNAIDS alerta, portanto, que uma nova legislação, além de desnecessária, pode potencialmente deteriorar o progresso construído com muito empenho pelo Brasil ao longo das últimas três décadas, o qual resultou em avanços importantes tanto para a saúde pública quanto para os direitos humanos no país e demonstrou para o mundo a liderança brasileira na matéria", diz a nota. "Pelos motivos expostos acima, o UNAIDS defende a eliminação das leis que criminalizam a exposição e a transmissão do HIV e renova o apelo ao Congresso Nacional para que rejeite e arquive o Projeto de Lei nº 198/2015 que torna crime hediondo a transmissão deliberada do vírus da Aids", completa.

Disponível em: Terra

 

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